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Superação - Parte 1

| 16 comentários
Olá Pessoal,

Como passaram o final de semana?
Lembram que no último post eu disse que já havia um no forno? Pois então, ele esta cru e preciso desabafar, então aquele ali deixamos pra já já, tudo bem?

Pra nos entendermos melhor:
Na apresentação falei da educação que meu Pai me deu, citei também, que sei o nome da recepcionista da minha psicóloga, lembram? Pronto! Aí que está, nesse detalhe que hoje trato com ela, é MUITO presente na minha vida, quero(e preciso!) desabafar hoje.
Vamos lá, previa, meu pai sempre foi o Tio mais querido por minhas amigas e amigos, ele me buscava na escola, pegava minhas duas melhores amigas e nos levava no Mc Donalds. Íamos ao shopping a cada nota boa que eu tirava, ganhei meu primeiro celular bem nova, todo aniversário eu ganhava a festa que parava a família, etc. Não quero enfatizar o lado material, mas antes de ganhar cada coisa, havia muito afeto, conversa, eu tinha que mostrar merecedora de cada coisinha, a futilidade em casa nunca existiu, graças a Ele mesmo. Conto mais sobre a criação um pouco pra frente.

Voltando, há 10 anos de novo, eu com 13 anos.
Minha mãe desconfiou de algumas atitudes do meu Pai, sem demonstrar nada, colocou Bina em casa, detetive atrás dele (que coragem!). Como se não bastasse, a empresa onde ele trabalhava faliu, veio problemas, falta de dinheiro, nosso patamar de vida era alto e foi decaindo bem rápido e eles foram fazendo dividas enormes. Minha mãe ali, apoiando, fez tudo que precisou para ajudá-lo, fez artesanato pra vender e assim fomos vivendo. Eis que a bebida entrou em ação e destruiu o pouco que tínhamos. Antes de qualquer coisa, minha mãe sentou conosco, explicou que o Papai havia errado muito nos últimos tempos e que eles iriam se separar pra ele poder viver a vida dele da forma que bem entendesse, com outra. Foi(e ainda é!) MUITO difícil de aceitar, como meu Pai havia feito tantas coisas e não conversou comigo? Porque outra? Porque isso? Ele que sempre disse que sem conversa, ninguém vive de verdade, que devemos esclarecer tudo, um detalhe pode mudar muitas coisas e tchanam, esse “detalhe” não esclarecido, mudou a minha vida.
Enquanto a separação oficial não saiu, meu pai dormia no sofá que eu tinha no meu quarto, algumas das vezes  alcoolizado. Isso doía, mas eu o aceitava(e ainda aceito sem recriminar), pensava igual ele ensinou, cada um tem suas atitudes porque tem seus motivos, devemos respeitar. E então eu respeitei em silêncio. Acho que aí foi o erro, eu poderia ter falado o que eu sentia, mas não.
Daí em diante, meu subconsciente criou uma ilusão onde, o “herói” esta passando por alguns problemas, enquanto isso, vou ajudando minha mãe. Tivemos que sair de casa, fomos pra um apartamento emprestado, ali passamos maus bocados, passamos meses comendo só hambúrguer(é pecado, mas hoje não consigo nem olhar) e feijão, só. Meu pai aparecia de vez em nunca, e quando isso acontecia, era chapuletada(com toda razão!), cadê dinheiro? Cadê comida? Precisamos ao menos pagar o condomínio. Só que pra mim, foi sofrimento triplo, o da minha mãe, o meu, e dele, porque sempre foi nítida a tristeza profunda que ele vivia, por tudo, por principalmente ter perdido o controle de sua vida e minha vontade de sentar, conversar continuava a flor da pele. 

Em silêncio me mantive.

Passou um tempo, minha avó sofreu acidente, não sei bem dizer se já havíamos mudado ou se foi na transição. Fraturou a bacia, teve coágulo na cabeça,  ficou internada por um bom tempo, quando teve alta já estávamos no AP, lembro-me de ajudar a trocar as fraldas dela. Perai gente, aquela senhora linda, meiga, que dançava no baile 2x por semana, que cuidou de mim e das netas, fez muita gemada, etc, agora ali, naquela cama, tão magra que era fácil pega-lá no colo, sem ao menos pode ir ao banheiro sozinha? E aí me deparo com uma dor imensurável, minha mãe recém traída, o ex-marido entrando no alcoolismo, ela procurando emprego e ver a mãe dela naquele estado? Eu e minha eterna mania de querer sofrer junto!
Fomos levando aos trancos e barrancos.
Próximo ano, era mudança pro Colegial e mudança de escola pra uma que tivesse a série de manhã, porem, não tive escolha nenhuma, tive que ir na mesma da minha irmã pra economizar condução. As vezes meu pai nos levava e nos buscava, tudo com dinheiro que minha avó(sua mãe dava).


Minha mãe arrumou emprego, as coisas pareciam melhorar, tínhamos que sair do AP emprestado, minha mãe achou uma casinha bem pequena, mudamos, ela trabalhando e intercalando nas filas do Hospital público, pra poder cadastrar minha avó para receber fisioterapia e tratamento psicológico. Eis que foi dando certo, respiramos fundo, tudo estava melhorando. 
 

Mundo desapegado de Amanda © 2014 LAYOUT POR MAYARA SOUSA